A doação de órgãos e tecidos é um gesto de amor e solidariedade que pode salvar inúmeras vidas. No Brasil, milhares de pessoas aguardam por um órgão ou tecido para seguir vivendo. Para quem está gravemente doente, o transplante representa esperança, um renascimento.
Para a família que perde um ente querido, decidir doar é um ato de generosidade que transforma a dor em vida. Por isso, é fundamental conversar com seus familiares ainda em vida e deixar claro o desejo de ser doador.
Um único doador pode beneficiar até 10 pessoas, oferecendo a elas a chance de recomeçar.
Converse com sua família e seja um doador
Mais de 43 mil
brasileiros estão na lista de espera por um transplante.
Mais de 28 mil
aguardam por um transplante de córnea.
A cada 14 pessoas
que podem doar, pelo menos 4 se tornam doadoras de verdade.
Os números falam.
Nos últimos 15 anos, o número de doadores dobrou.
O que é a doação?
É o ato em que uma pessoa, viva ou falecida, doa órgãos para salvar a vida de outra pessoa que está doente. É como um quebra-cabeça: um pedacinho do nosso corpo se encaixa perfeitamente e faz outra pessoa voltar a sorrir.
É um presente que salva vidas. E o melhor de tudo: uma única pessoa pode ajudar muitas outras.
Quais órgãos podem ser doados?

Coração

Rim

Pulmão

Fígado

Pâncreas

Intestino
Além dos órgãos, medula óssea, tecidos como a córnea, pele, ossos e valvas cardíacas também podem ser doados. Para quem precisa de um transplante, doar é a esperança de uma vida mais feliz e saudável.
Perguntas frequentes
A doação de órgãos é um ato por meio do qual podem ser doados de uma pessoa (doador) partes do corpo, sejam órgãos ou tecidos, para serem utilizados no tratamento de outra pessoa, com a finalidade de reestabelecer a função do órgão ou tecido doente. A doação é um ato que pode salvar vidas.
De um doador é possível obter vários órgãos e tecidos para o transplante. Podem ser doados rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas, pele, ossos e tendões.
A doação de órgãos como o rim, parte do fígado, parte do pulmão e da medula óssea pode ser feita em vida.
A doação de órgãos de pessoas falecidas somente acontecerá após a confirmação do diagnóstico de morte encefálica ou após uma parada cardiorrespiratória. Na morte encefálica, pacientes sofreram um acidente que provocou traumatismo craniano (acidente com carro, moto, quedas etc.) ou sofreram acidente vascular cerebral (derrame) que causou a morte encefálica.
É preciso que a população se conscientize da importância do ato de doar um órgão e tecidos.
Doar órgãos é um ato que pode salvar vidas em caso de órgãos vitais como o coração, bem como devolver a qualidade de vida, quando o órgão transplantado não é vital, como os rins. A doação de órgãos proporciona o prolongamento da expectativa de vida de pessoas que precisam de um transplante, permitindo o restabelecimento da saúde e, por consequência, a retomada das atividades normais.
Muitas vezes, o transplante de órgãos pode ser a única esperança de vida ou a oportunidade de um recomeço para pessoas que precisam da doação.
Se você deseja ser um doador de órgãos, avisar aos familiares é a mais importante, porque a lei brasileira exige o consentimento da família para a retirada de órgãos e tecidos para transplante.
Não é necessário deixar a vontade expressa em documentos ou cartórios, basta que sua família atenda ao seu pedido e autorize a doação de órgãos e tecidos.
Quando você comunica a sua família e amigos que é um doador de órgãos, você facilita o processo de transplantes e pode salvar muitas vidas.
Se você tem um parente doador, respeite a vontade dele.
Um doador vivo é qualquer pessoa juridicamente capaz, atendidos os preceitos legais quanto à doação intervivos, esteja em condições satisfatórias de saúde e concorde com a doação, desde que não prejudique sua própria saúde. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão ou parte da medula óssea, a compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos.
Pela lei, parentes até o quarto grau e cônjuges podem ser doadores em vida. Não parentes, somente com autorização judicial.
O doador está sujeito aos riscos normais de se submeter a uma cirurgia com anestesia geral, mas antes do procedimento são feitos exames a fim de minimizar os riscos.
Existem dois tipos de doadores falecidos:
- Doador falecido após morte encefálica: paciente cuja morte encefálica foi constatada segundo critérios definidos pela legislação do país e que não tenha sofrido parada cardiorrespiratória. O doador falecido nesta condição pode doar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córnea, vasos, pele, ossos e tendões. Um único doador pode salvar inúmeras vidas. A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia. Para a doação de órgãos é necessária a manutenção da circulação sanguínea do paciente até o momento da retirada do órgão a ser doado.
- Doador por parada cardiorrespiratória: doador cuja morte foi constatada por critérios cardiorrespiratórios (coração parado). O doador nesta condição pode doar apenas tecidos para transplante (córnea, vasos, pele, ossos e tendões).
A doação, em qualquer caso, só ocorre após a autorização da família.
Não existe restrição absoluta, entretanto a doação de órgãos pressupõe alguns critérios mínimos como o conhecimento da causa da morte, ausência de doenças infecciosas ativas, dentre outros. Também não poderão ser doadoras as pessoas que não possuem documentação ou menores de 18 anos sem a autorização dos responsáveis.
Praticamente todas as religiões encorajam a doação de órgãos e tecidos como uma atitude de preservação da vida e um ato caridoso. Elas têm em comum os princípios da solidariedade e do amor ao próximo que caracterizam o ato de doar. Por isso deixam a critério dos seus seguidores a decisão de serem ou não doadores.
Neste caso, apenas as córneas poderão ser doadas.
É muito importante que aconteça o mais rápido possível, pois a doação só será possível se for realizada em até seis horas após a parada circulatória (parada cardiorrespiratória) em temperatura ambiente. A declaração de óbito deve ser providenciada e a Central Estadual de Transplantes deve ser imediatamente comunicada. A Central acionará um Banco de Tecidos Oculares, cujo profissional fará todos os procedimentos necessários à retirada da córnea, inclusive a reconstituição do corpo. Caso a morte tenha decorrido de causa não natural, o corpo deverá ir para o IML para ser submetido a necropsia.
A retirada de outros tecidos, como pele e tecido ósseo, não pode acontecer nestas condições pois requer um ambiente apropriado, como um hospital, por ser um procedimento mais complexo.
A negativa familiar é um dos principais motivos para que um órgão não seja doado no Brasil. Atualmente, aproximadamente metade das famílias entrevistadas não concorda que sejam retirados os órgãos e tecidos do ente falecido para doação. Em muitos desses casos a pessoa poderia ter sido um doador.
Por isso, converse com sua família sobre o desejo de doar órgãos.
O que determina se o órgão é viável para transplante é o estado de saúde do doador. No entanto, algumas condições podem restringir limites de idade em situações específicas.
Não, de maneira alguma.
A retirada dos órgãos para transplante somente é considerada depois da confirmação da morte encefálica, quando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados.
Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e já estão aguardando em uma lista de espera unificada e informatizada. A posição na lista de espera é definida por critérios técnicos como tempo de espera e urgência do procedimento, compatibilidade sanguínea entre doador e receptor. A compatibilidade genética entre doador e receptores, quando necessária, é determinada por exames laboratoriais. Para alguns tipos de transplantes é exigida, ainda, a compatibilidade antropométrica.
Cabe à Central Estadual de Transplantes, por meio do sistema informatizado, gerar a lista de receptores compatíveis com o doador em questão. Se não existirem receptores compatíveis no estado ou o mesmo não realizar a modalidade de transplante referente ao órgão doado, o órgão é ofertado à Central Nacional de Transplantes CNT/MS para a distribuição nacional.
A existência desta lista única assegura a seriedade e a transparência de todo o processo.
O Sistema de Lista Única é constituído pelo conjunto de potenciais receptores brasileiros, natos ou naturalizados, ou estrangeiros residentes no país, inscritos para o recebimento de cada tipo de órgão, tecido ou célula. Este sistema é regulado por um conjunto de critérios específicos para a distribuição aos potenciais receptores, assim constituindo o Cadastro Técnico Único (CTU).
A lista é única, organizada por estado ou região, e monitorada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e por órgãos de controle federais. Isso impossibilita que uma pessoa conste em mais de uma lista e permite que a ordem legal seja obedecida.
As Organizações de Procura de Órgãos (OPO) atuam em parceria com as Comissões Intra-hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), junto aos hospitais com perfil notificante de determinada região geográfica, identificando potenciais doadores e viabilizando o processo de doação. As OPO e CIHDOTT são vinculadas à Central Estadual de Transplante.
Se existe um doador em potencial, com morte encefálica confirmada (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc.) e após autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos, são mantidos os recursos para a preservação das funções vitais dos órgãos. As ações seguem a seguinte sequência:
- O hospital notifica a Central Estadual de Transplantes sobre um paciente em morte encefálica (potencial doador de órgãos e tecidos) ou com parada cardiorrespiratória (potencial doador de tecidos);
- A Central de Transplantes espera a confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento;
- A Central de Transplantes, através de um sistema informatizado, gera uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (equipes de transplantes) onde eles são atendidos;
- As equipes de transplante, junto com a Central de Transplante, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio, etc.);
- Os órgãos são retirados e o transplante é realizado;
- No caso de morte por parada cardiorrespiratória, após avaliação do doador por critérios estabelecidos, os tecidos são retirados e encaminhados para bancos de tecidos.
- Quem retira os órgãos de um doador?
Após a confirmação da morte encefálica, autorização da família e localização de um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe de cirurgiões autorizada pelo Ministério da Saúde e com treinamento específico para esse tipo de procedimento. Depois disso, o corpo é devidamente reconstituído e liberado para os familiares.
Após a avaliação do doador e autorização da família, a retirada de tecidos é realizada por uma equipe capacitada para tal, de um banco de tecidos, ou vinculadas a este.
Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.
Após a retirada dos órgãos e tecidos, a equipe médica recompõe o corpo do doador, sendo visíveis apenas os pontos do local operado, não impedindo a realização do velório.
Para doação de tecidos oculares o profissional coloca uma prótese ou outro material como gaze no lugar do globo ocular, e para fechamento das pálpebras pode ser usada uma cola apropriada ou pontos internos (não parentes), de forma que o doador permaneça com o mesmo aspecto, não aparecendo qualquer deformidade;
Para doação de tecidos musculoesqueléticos são retirados principalmente ossos do braço (úmero) e da coxa (fêmur), além de cartilagens e tendões. Em seguida, a equipe de retirada reconstitui o corpo do doador com próteses apropriadas, refazendo as juntas do joelho, quadril, ombro e cotovelo;
Para doação de pele é retirada somente uma fina porção da pele do dorso das costas e das coxas, sem alterações na aparência do doador falecido.
Na doação em vida, sim, desde que atendida à legislação vigente.
Na doação após a morte, nem o doador, nem a família podem escolher o receptor. Este será sempre o próximo da lista única de espera de cada órgão ou tecido, dentro da área de abrangência da Central Estadual de Transplantes (CET) do seu local.
Para maiores orientações: ligue 0800-283-7183 (MG Transplantes)
Fontes: